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Curiosidades

Plástico: reciclável na teoria, poluição na prática

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Dia das Crianças, comemorado no Brasil no dia 12 de outubro, com o feriado de Nossa Senhora Aparecida, impulsiona a produção e o consumo de plástico. Isso porque 90% dos brinquedos em todo mundo são feitos com o produto, conforme um levantamento feito pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Química Verde, Sustentabilidade e Educação (GPQV), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a pedido do Criança e Consumo. 

O estudo “Infância plastificada” estima que entre 2018 e 2030 serão produzidos 1,38 milhão de toneladas de brinquedos de plástico no Brasil. A pesquisa indica ainda que muitos desses materiais plásticos usados nos brinquedos podem conter substâncias tóxicas que causam de câncer a doenças hormonais.


poluição plástica é considerada um dos mais graves componentes da crise climática global pela qual estamos passando. O consumo de plástico, turbinado em datas festivas, como o Dia das Crianças e o Natal, está roubando ironicamente o futuro dos mais jovens que ganham esses presentinhos. 


E não adianta comprar coisas de plástico achando que tudo será reciclado. Brinquedos de plástico têm baixa probabilidade de serem reciclados no Brasil, sobretudo por conta da mistura de diversos materiais plásticos distintos e que só podem ser separados por caros processos industriais. E não é só o brinquedo de plástico em si – as embalagens são parte do problema. 

Uma ideia

Já pensou em trocar o tradicional presente de plástico por uma experiência nova na vida da criança, como fazer uma trilha por uma região de floresta, um parque ou uma região litorânea? Nosso país é cheio de cachoeiras, rios, montanhas e chapadas, e um passeio em família por essas áreas pode ser muito mais marcante na memória infantil do que brinquedos da moda que quebram rápido. 


Essa atitude ensina as crianças que nem sempre é preciso comprar algo para presentear alguém. E combater o consumismo entre os pequenos é fundamental para o futuro deles mesmos – se eles copiarem o padrão de consumo da geração de seus pais, não há chance de um mundo saudável no futuro. 

Atualmente há movimentos de estímulo à cultura de troca de brinquedos. Como os pequenos crescem rápido, enjoam facilmente de brinquedos e brincadeiras específicas para cada idade. Mas o brinquedo que não tem mais graça para uma criança pode ser trocado por outro que ela pode adorar. 


E se você gostaria de que suas crianças entendessem toda essa discussão sobre plástico, aqui vai uma dica de presente: o livro – O Plástico: O Livro Dos Porquês explica por que tem tanto plástico no mundo e como isso se relaciona ao aquecimento global, com ilustrações divertidas e definições claras e objetivas. 

Mais plástico


Como os fabricantes continuam fazendo plástico virgem – como é chamado o plástico novinho em folha – o plástico reciclável não consegue competir para ser a matéria-prima principal dos produtos que compramos. E essa realidade pode piorar. 

plástico comum presente na maior parte dos produtos é derivado do petróleo. As metas climáticas para frear o aquecimento global dependem de um consumo cada vez menor de combustível fóssil, com os carros elétricos substituindo pouco a pouco a frota dos veículos à combustão.

Esse fator aliado à adoção de hábitos mais sustentáveis, deixará as petroleiras sem ter o que fazer com o petróleo que extrai. A única aposta delas para sobreviver é aumentar a fabricação de plástico – o que automaticamente desestimula a reciclagem.   

O poder público precisa criar políticas para restringir a produção de plástico virgem e para estimular o uso do plástico

Reciclagem cara 


A única solução ambiental disponível hoje para lidar com materiais plásticos de difícil reciclagem é evitar sua compra. Nesse grupo, o isopor é destaque. Embora o isopor seja reciclável, o custo desse processo faz com que a reciclagem desse material seja praticamente inexistente em todo o mundo


Caixas de leite, de creme de leite, de suco e etc também são materiais de difícil reciclagem. Isso porque elas misturam materiais diferentes – papelão recoberto por uma fina camada de plástico e revestido de alumínio.

Para separar o papel do plástico e do metal e reciclar os três, é necessário maquinário específico e mão-de-obra treinada. Para se ter uma ideia, em todo o país, há apenas 20 usinas capacitadas para fazer esse tipo de reciclagem, segundo a associação Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE). 


Aquele plástico fininho usado nas embalagens de salgadinho e biscoitos também não costuma ser reciclado, tanto pela dificuldade técnica como pelo baixo valor final dessa matéria-prima após a reciclagem. 


O que fazer até lá? 


Abandone o uso de produtos de plástico de uso único, como pazinhas de sorvete, canudos e cotonetes. Já há opções de papel e madeira para esses itens disponíveis no mercado. 


 preferência a produtos livres de plástico, como shampoos e condicionadores em barra, quentinhas de metal ou de papel, bebidas em garrafas retornáveis e latinhas. 


Troque a bandejinha de isopor da carne no mercado pelo produto solicitado na hora ao açougueiro, que usará menos plástico no pacote. 
Leve sua sacola de tecido sempre com você. Isso evita que você traga para casa aquelas sacolas de papel revestidas de plástico muito comuns em lojas de roupas e de sapatos – elas também são difíceis de reciclar. 

Silvana Baitala Buhrer

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