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Mãe e filhote de onça-pintada são vistos na Serra do Mar paranaense

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Uma cena rara chamou a atenção de pesquisadores do Paraná: o registro de uma onça pintada e seu filhote na região da Serra do Mar paranaense. As imagens, que foram gravadas em janeiro, mas divulgadas esta semana, indicam que o habitat desse animal está recuperando as condições para sobrevivência e reprodução da espécie, dizem os pesquisadores.

O registro, feito por meio de uma armadilha fotográfica, é resultado de um monitoramento em 17 mil quilômetros quadrados (km²) de Mata Atlântica entre os estados de São Paulo e Paraná. A área, 11 vezes o tamanho da cidade de São Paulo, integra a Grande Reserva Mata Atlântica, o maior remanescente contínuo do bioma no Brasil.

O trabalho faz parte do Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, que tem o apoio da Fundação Grupo Boticário. O programa, lançado oficialmente em novembro do ano passado, tem o objetivo de gerar dados para subsidiar planos de conservação da anta (Tapirus terrestris), da queixada (Tayassu pecari), além da onça-pintada (Panthera onca).

Onça-pintada

Pesando entre 60 e 160 quilos, a onça-pintada é uma das espécies-símbolo do Brasil, ilustrando, inclusive, a cédula de 50 reais. Apesar disso, a espécie, que é o maior felino das Américas e o terceiro do mundo, corre sério risco de desaparecer na Mata Atlântica, por já ter perdido 85% de seu habitat. Estima-se que atualmente o número seja inferior a 300 felinos.

Mamíferos de grande porte como a onça, o porco-do-mato, a anta, o veado e a capivara, entre outros, sofrem com a perda de habitat e pressão de caça.

Mamíferos herbívoros, como a anta e a queixada, são essenciais para a manutenção da floresta, por serem dispersores de sementes. Tais espécies são responsáveis pela dispersão de mais de 100 tipos de sementes, por extensão de cerca de 40 quilômetros, diariamente.

Entre as consequências que podem ocorrer sem o equilíbrio e a preservação dos animais estão a perda de diversidade vegetal, introdução de espécies invasoras, perda de atividades econômicas como o turismo, além de outras imprevisíveis.

Programa

O programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar surgiu da necessidade de uma agenda integrada para monitoramento e conservação de grandes mamíferos. Isso porque o resultado de 15 anos de pesquisa na região indicou que tais espécies estão mais presentes em locais mais elevados e remotos, deixando muitas áreas de floresta demograficamente vazias de grandes mamíferos, inclusive em unidades de conservação.

A iniciativa atua em quatro frentes de ação: monitoramento, com coleta de dados de maneira científica e sistemática; planejamento de conservação, para apoiar os tomadores de decisão nas ações de proteção e manejo; sensibilização, para gerar mais conhecimento e valorização da fauna da Mata Atlântica por toda a sociedade e, por fim, a rede de monitoramento.

O programa é realizado pelo Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC) e Instituto Manacá, com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, WWF-Brasil e do banco ABN AMRO, e com a parceria da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Fundação Florestal, do Legado das Águas – Reserva Votorantim, da Fazenda Elguero, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (PPG ECO – UFPR) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Redação Litorânea FM

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