Saúde

Covid-19: taxa de transmissão no Brasil é a maior desde maio, diz Imperial College

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A última vez que a taxa de transmissão se aproximou deste patamar no País foi na semana de 24 de maio, quando atingiu 1,31. A taxa de contágio (Rt) indica para quantas pessoas um paciente infectado consegue transmitir o novo coronavírus. Quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa. Isso representa o avanço da doença. Para a epidemia em um país ser considerada controlada, a taxa de transmissão precisa estar abaixo de 1. De acordo com os números atuais, cada 100 pessoas contaminadas transmitem o vírus para outras 130.

Há duas semanas, o número ficou em 0,68, o menor valor desde abril. A data coincide com o atraso na atualização de casos e mortes por Covid-19 pelo Ministério da Saúde. Problemas técnicos atrasaram o registro de novos casos e mortes. A pasta reconheceu na sexta-feira (13), indícios de um ataque cibernético em seu sistema, mas ainda não há laudo conclusivo. Como o estudo considera esses dados, as estimativas também foram afetadas. A taxa de contágio retrata uma média nacional, sem abordar as particularidades de cada estado ou região.

Professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, o epidemiologista Eliseu Waldman pondera que é difícil mensurar o quanto desse aumento da incidência deve-se ao represamento de dados nas últimas semanas. Já o virologista Rômulo Neris, mestre em Microbiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que a taxa de contágio no País poderia ser ainda maior se não fossse o “apagão de dados”. “Os pesquisadores britânicos usam os dados das secretarias de saúde para fazer esse cálculo. E nós tivemos essa defasagem exatamente onde o número de casos começou a aumentar. Acredito que a taxa de transmissão poderia ser ainda maior”, opina.

A média móvel diária de mortes causadas pelo novo coronavírus no Brasil ficou em 496 nessa segunda-feira (23). O cálculo registra as oscilações dos últimos sete dias e elimina distorções entre um número alto de meio de semana e baixo de fim de semana. Desde ontem, foram registrados mais 17.585 casos e 344 mortes, segundo levantamento feito por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL junto às secretarias estaduais de saúde.

Segunda onda?

Especialistas evitam cravar que o Brasil esteja vivendo uma segunda onda de contaminação simplesmente por que o País ainda não superior a primeira. “Apesar do cenário de aumento de casos e mortes, é difícil dizer que o Brasil está numa segunda onda por que ainda não houve a resolução da primeira. Vimos um fenômeno de interiorização, com diminuição dos casos nos grandes centros, mas não controlamos o surto. A doença se manteve no platô”, explica o virologista Rômulo Neris, mestre em Microbiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Rodrigo Stabeli, pesquisador da Fiocruz e professor de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), usa a Espanha para explicar um caso clássico de primeira e segunda ondas de contaminação. “No auge da epidemia, a Espanha foi o país com maior número de casos e mortes por 1oo mil habitantes. Depois da primeira onda, as autoridades sanitárias conseguiram controlar a transmissão. O índice de contágio, esse mesmo analisado pelo Imperial College, caiu para menos de 0,50. Depois, veio o novo aumento e a segunda onda”, diz o especialista. “No Brasil, ainda estamos no repique da primeira onda”, completa.

No final de outubro, o presidente espanhol, Pedro Sánchez, decretou toque de recolher para tentar conter a contaminação. A medida foi tomada dias depois que o país oficialmente ultrapassou um milhão de casos diagnosticados desde o início da epidemia, sendo o primeiro país da União Europeia e o sexto do mundo a fazê-lo. A meta do governo é resistir à pandemia durante o inverno no hemisfério norte, quando circunstâncias climáticas favorecem a disseminação do vírus, e reduzir sua incidência para 25 casos por 100 mil habitantes. No momento, a situação é de 368 por 100 mil habitantes.

Redação Litorânea FM

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