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Caso Evandro: Após fitas revelarem tortura defesa pedirá anulação de julgamento

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A defesa de Celina e Beatriz Abagge, acusadas pela morte do menino Evandro Caetano, em Guaratuba, no litoral do Paraná, em 1992, vai entrar com um recurso no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) pedindo a anulação do julgamento e indenização do Estado, de acordo com as informações da CBN Curitiba. A decisão ocorre após uma série documental revelar áudios de gravações que indicam tortura dos condenados.

O advogado Antonio Augusto de Figueiredo Basto, que representa as acusadas de serem mandantes do crime em um suposto ritual de magia negra, montou o processo do pedido de revisão criminal, que deve ser peticionado no TJ-PR nos próximos 15 dias. De acordo com ele, as gravações subtraídas da ação eram cruciais no julgamento.

O corpo de Evandro, que tinha 6 anos, foi encontrado sem as mãos, vísceras e cabelos em abril de 1992. As investigações apontaram que a criança foi morta em um ritual de magia negra encomendado por Celina e Beatriz Abagge e três pais de santo: Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares e Vicente de Paula. Os cinco chegaram a confessar o crime, mas depois alegaram que foram torturados pela polícia para admitir o ritual. As sessões de tortura teriam sido cometidas por policiais do Grupo Águia da Polícia Militar (PM).

O caso teve cinco julgamentos. Em 2011, Beatriz foi condenada a 21 anos de prisão. Já Celina não foi julgada porque, como ela tinha mais de 70 anos, o crime prescreveu. Os pais de santo também foram condenados pelo sequestro e homicídio do garoto a 20 anos de prisão. As penas de Osvaldo e Davi se extinguiram pelo cumprimento e Vicente de Paula morreu de câncer em 2011 no presídio.

O advogado Figueiredo Basto também vai protocolar um pedido na Corte Internacional de Direitos Humanos, na Procuradoria-Geral da República e na Ordem dos Advogados do Brasil.

O promotor do caso na época, Paulo Lima, destaca que em março do ano passado, quando soube dos áudios, pediu para que a promotoria de Guaratuba analisasse as gravações. Conforme ele, não houve omissão, pois, o Ministério Público sequer sabia da existência do material.

O promotor explica que a revisão criminal deve ser analisada por um procurador de Justiça e para que o júri seja cancelado é preciso comprovar a inocência do acusado.

Conforme a matéria, a Rádio CBN Curitiba entrou em contato com o Estado, que informou que o caso é antigo e, por isso, não deve se manifestar.

Fonte
Francielly Azevedo - CBN Curitiba

Redação Litorânea FM

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