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Cão que ficou aguardando vários dias dona que veio a falecer na UPA de Matinhos é adotado

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Os olhos atentos de um cachorro, fixados por dias na porta por onde a dona entrou e não saiu mais, chamaram a atenção de quem trabalha na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Praia Grande de Matinhos.

“Thor”, como passou a ser chamado, havia perdido a única pessoa que tinha, mas, após uma publicação nas redes sociais feita por uma das funcionárias da unidade, teve a oportunidade de ganhar um novo lar, conforme o G1 PR e as redes sociais.

Comovida pelo gesto de amor e lealdade do cão em não deixar a UPA com a esperança de a dona sair viva, Eliane Santana de Oliveira foi a pé até a unidade e o adotou. Ela conta que a atitude, que deu a ele um novo lar, reflete também a historia de amor que ela tem em casa. Dos quatro filhos, três são adotados.

Mas a família não acaba por aí, ela tem três gatos e, além de Thor, mais dois cachorros. Todos de adoção.

“A adoção sempre vem de uma situação triste, delicada, mas o bom da adoção é isso, transformar uma história sofrida em uma história boa, transformar essa dor em um novo amor. Gostaríamos de deixar o mesmo nome que ele já tinha, mas ninguém sabia. Ele que já perdeu tanta coisa, tadinho, ainda perder o nome. Mas será muito cuidado e amado por nós”, disse Eliane.

Animal é o terceiro cão de Eliane Santana de Oliveira, que também tem 3 filhos e 3 gatos adotados — Foto: Arquivo pessoal
Animal é o terceiro cão de Eliane Santana de Oliveira, que também tem 3 filhos e 3 gatos adotados — Foto: Arquivo pessoal

No dia 3 de julho, a antiga dona de Thor, que não teve seu nome revelado, passou mal, foi levada à unidade e acabou não resistindo. O cão desesperado para rever a dona, seguiu a ambulância e ficou durante três dias aguardando por ela.

Conforme os funcionários, ele ia da recepção até a porta dos consultórios várias vezes ao dia na tentativa de encontrá-la.

Uma enfermeira tentou levá-lo para casa, mas ele fugiu e retornou à UPA sozinho. Durante as noites, o cachorro uivava e se recusava a sair do chão frio e ir para a casinha nos fundos do local.

O cão desesperado para rever a dona, seguiu a ambulância e ficou durante três dias aguardando ela na UPA — Foto: Arquivo pessoal
O cão desesperado para rever a dona, seguiu a ambulância e ficou durante três dias aguardando ela na UPA — Foto: Arquivo pessoal

Vendo a dor do animal, a médica Valéria Regina Fernandes de Oliveira resolveu publicar a história no Facebook.

“Quando nosso amiguinho de quatro patas colocou a carinha na porta de meu consultório e depois se dirigiu para o outro consultório e parou no corredor com olhar fixo para a porta da observação, achei muito estranho. Ele me olhava como se perguntasse alguma coisa. Foi uma sensação de angústia. Fiz a postagem realmente na esperança de que alguém o adotasse”, contou Valéria.

Em pouco tempo, a postagem alcançou milhares de curtidas e compartilhamentos, além de centenas de comentários.

Publicação da médica Valéria Fernandes de Oliveira contando sobre a situação do cão — Foto: Reprodução/Facebook
Publicação da médica Valéria Fernandes de Oliveira contando sobre a situação do cão — Foto: Reprodução/Facebook

Eliane contou que quando viu a publicação da médica era de noite e já estava de pijama na cama. Contudo, não conseguiu deixar para o dia seguinte a ida até a UPA.

“Só que ele não andava, ele não queria ir embora de lá, tive que pegar no colo e levar. Foi igual um bebezinho no colo. O pessoal da UPA ficou muito feliz porque estavam preocupados como ele iria ficar sozinho naquela tristeza de perder a dona. Quando chegou em casa já rolou um ciúme dos outros cachorros, mas ficou isolado um dia só e no outro já interagiu”.

'Thor', como passou a ser chamado, está adaptado com o novo lar e a nova família — Foto: Arquivo pessoal
‘Thor’, como passou a ser chamado, está adaptado com o novo lar e a nova família — Foto: Arquivo pessoal

Os três cães, os três gatos e as três crianças já são todos amigos e se divertem muito juntos, segundo ela.

“Os cachorros estão dormindo juntos. O Thor está bem adaptado, a gente abre o portão para sair com a moto, ele corre para a rua, mas sempre volta. Se acostumou muito bem. Logo no primeiro dia ele tremia muito, comprei uma roupinha porque achei que era frio, mas era de nervoso. A gente gosta da casa cheia e agora está ainda mais completa a nossa família”, revelou Eliane.

Para os funcionários da Unidade de Pronto Atendimento de Matinhos, que acompanharam a angústia do cão, ver ele bem e feliz no novo lar é gratificante.

“Gostaria de carregar em meus olhos e coração a doçura de um amor puro como o dele. E que bom que, no final, descobri que as pessoas também se apaixonaram por este amor sem limites e restrições”, completou a médica.

Fonte
Natalia Filippin, G1 PR - Redes sociais

Redação Litorânea FM

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